Adiaspora.com – Na Divulgação da Lusitanidade.

Senhores Contadores…

Muitos são os acontecimentos que fizeram a história do lugar e das pessoas que lá vivem; o que elas são e o que representam.  E entre essas pessoas, algumas contam passagens vividas, com muita peculiaridade e entre um caso e outro, relatado sempre com muito enredo e de modo a fazer com que o ouvinte se sinta no ambiente do acontecimento e independente do tempo onde ele se passou, estão as passagens contadas pelo “um dos últimos tropeiros vivos de Curitibanos”, senhor Ivady Almeida.

Com oitenta e cinco anos – festejado em grande estilo recentemente – conta que seu bisavô, Coronel Henrique Paes de Almeida, vindo de Sorocaba, começou a criar cavalos na região e esses já existiam soltos nos campos e espalhados pelas coxilhas. Filho, neto e bisneto de tropeiros, seu Ivady  relata com os olhos distantes e a percorrer a paisagem a sua frente, que aos quatro anos de idade ajudou a conduzir uma tropa de gado por dez quilômetros e ao final do trabalho, teve de voltar sozinho para casa, já noite escura. Cresceu e como na época não havia carros, o meio de transporte eram os cavalos e o Campeiro, por ser um cavalo marchador oferecendo conforto e segurança para a montaria, passou então a ser o meio de transporte mais usado na região.

Interessado cada vez mais pelos cavalos, seu Ivady – assim como outros tantos criadores – passou a freqüentar as exposições pelo Brasil, tendo sido acompanhado na maioria delas, pelo amigo e companheiro, senhor Osny Machado Coninck. Juntos, levavam seus melhores animais para serem mostrados nas feiras pelo país, buscando  comparações capazes de auxiliar nos estudos e análises de formação do Cavalo Campeiro da região do planalto serrano. Durante muito tempo andaram garimpando informações e especificações que tornasse possível o enquadramento do cavalo em uma raça, quando por fim apareceu em cena um delegado do Ministério da Agricultura. Ao olhar para o cavalo, perguntou qual era a raça do animal…
Interessado, providenciou uma delegação composta por analistas credenciados pelo Ministério da Agricultura que partiram para Curitibanos. Após criteriosos estudos de padrões, perfil e características de modo geral, foi homologado o direito de registro e para tal, o veterinário Dirceu Costa, também de Curitibanos, foi enviado para cursos técnicos com a finalidade de proceder no registro da raça do Cavalo Campeiro, o marchador das Araucárias.

Senhores Ivady Almeida e Osny Machado Coninck
Fazenda da Lagoa em Campos Novos

 

Senhor Ivady Almeida – Cavalgada da Semana Farroupilha – Curitibanos